Juros compostos com aportes mensais
Entenda como aportes mensais entram no cálculo, a diferença entre começo e fim do mês e como interpretar o total investido.
O que muda quando há um aporte todo mês
Com aportes mensais, não existe apenas um capital rendendo desde o início. Cada depósito tem sua própria data de entrada e, portanto, seu próprio tempo de capitalização. O primeiro aporte pode render por quase todo o plano; o último, por apenas um período — ou nem isso, conforme a convenção adotada.
Por esse motivo, multiplicar o aporte pela quantidade de meses e aplicar juros sobre o total desde o primeiro dia superestima o resultado. O cálculo correto acompanha o saldo período a período ou usa uma fórmula de série uniforme que respeite o momento de cada aporte.
A sequência usada nesta calculadora
A calculadora usa aportes postecipados: em cada mês, o saldo existente rende primeiro e o aporte é adicionado no fim. Para uma taxa mensal i, o processo é:
- Juro do mês = saldo anterior × i.
- Novo saldo antes do aporte = saldo anterior + juro.
- Saldo final do mês = novo saldo + aporte − eventual retirada.
Com R$ 1.000 iniciais, R$ 500 ao fim de cada mês e taxa equivalente a 10% efetivos ao ano — aproximadamente 0,7974% ao mês — os três primeiros fechamentos são:
| Mês | Saldo inicial | Juro do mês | Aporte | Saldo final |
|---|---|---|---|---|
| 1 | R$ 1.000,00 | R$ 7,97 | R$ 500,00 | R$ 1.507,97 |
| 2 | R$ 1.507,97 | R$ 12,02 | R$ 500,00 | R$ 2.020,00 |
| 3 | R$ 2.020,00 | R$ 16,11 | R$ 500,00 | R$ 2.536,11 |
Pequenas diferenças de centavos podem surgir se alguém arredondar o saldo a cada linha. A metodologia desta calculadora mantém a precisão durante o cálculo e arredonda apenas os valores exibidos.
Fórmula para aportes no fim do mês
Quando capital, aporte e taxa são constantes, sem retiradas, o saldo pode ser escrito como M = C × (1 + i)^n + A × [((1 + i)^n − 1) ÷ i].
- C é o capital inicial.
- A é o aporte realizado ao fim de cada período.
- i é a taxa por período, em decimal.
- n é o total de períodos.
A primeira parcela da fórmula capitaliza o dinheiro inicial. A segunda soma o valor futuro de todos os aportes, reconhecendo que cada um rende por um prazo diferente. Se a taxa for zero, evite dividir por zero: o saldo passa a ser simplesmente C + A × n. Para entender a fórmula básica antes dos aportes, consulte como calcular juros compostos.
Aporte no começo ou no fim do mês?
Um aporte feito no início do mês participa imediatamente do rendimento daquele período. Um aporte no fim começa a render no período seguinte. Se todos os depósitos forem antecipados em um período, a parcela da fórmula referente aos aportes é multiplicada por (1 + i).
No cenário de R$ 1.000 iniciais, R$ 500 mensais, 10% efetivos ao ano e dez anos, o aporte ao fim de cada mês leva a aproximadamente R$ 102.525,67. No início de cada mês, mantendo todas as outras premissas, o resultado seria R$ 103.322,54 — R$ 796,87 a mais.
Na vida real, a diferença depende da data em que a aplicação efetivamente recebe e converte o dinheiro. Para comparar com um extrato, use as datas e regras do produto, não apenas o dia em que a transferência foi solicitada.
Total investido, juros e saldo final
Esses três números respondem a perguntas diferentes:
- Total investido: capital inicial mais a soma dos aportes, sem contar o rendimento.
- Juros acumulados: saldo final menos valores investidos, ajustado por retiradas no modelo.
- Saldo final: tudo o que restou ao fim da projeção — dinheiro colocado e rendimento nominal.
No exemplo de dez anos, foram investidos R$ 61.000: R$ 1.000 iniciais e 120 aportes de R$ 500. Com a hipótese de 10% efetivos ao ano, o saldo de R$ 102.525,67 contém R$ 41.525,67 de juros nominais projetados. Esse ganho ainda não representa retorno líquido ou aumento de poder de compra.
Compare cenários, não uma previsão única
Uma taxa constante ajuda a entender o efeito das premissas, mas não prevê o mercado. Mantendo R$ 1.000 iniciais, R$ 500 no fim de cada mês e dez anos, diferentes taxas efetivas anuais produziriam:
| Cenário | Taxa anual usada | Saldo projetado | Juros projetados |
|---|---|---|---|
| Conservador | 6% | R$ 83.027,57 | R$ 22.027,57 |
| Central | 10% | R$ 102.525,67 | R$ 41.525,67 |
| Otimista | 14% | R$ 126.999,77 | R$ 65.999,77 |
Os nomes descrevem apenas a posição relativa entre estas três hipóteses; não afirmam que uma taxa seja provável, adequada ou segura. Retorno esperado e risco devem ser avaliados em conjunto. Teste também prazos e aportes diferentes, pois essas são variáveis que a pessoa costuma controlar com mais facilidade.
O que acontece se o aporte variar ou parar
A fórmula de aportes iguais deixa de bastar quando os depósitos mudam. Nesse caso, calcule mês a mês: cada aporte entra no saldo na sua data e capitaliza pelo tempo restante. Um 13º salário, uma pausa ou um aumento gradual podem ser representados como fluxos separados.
Interromper aportes não apaga o efeito do que já foi acumulado, mas reduz o capital novo que teria tempo para render. Aumentar o aporte mais cedo tende a produzir efeito maior do que o mesmo aumento perto do fim, porque o dinheiro permanece mais períodos na projeção. Para conferir valores linha a linha, use os exemplos reproduzíveis e exporte a tabela mensal.
Erros comuns em simulações com aportes
- Capitalizar todos os aportes pelo prazo inteiro: depósitos futuros ainda não estavam investidos no início.
- Não informar o momento do aporte: começo e fim do período produzem saldos diferentes.
- Dividir a taxa anual por 12: uma taxa efetiva anual exige conversão por equivalência para manter o mesmo acumulado.
- Confundir dinheiro investido com juros: parte relevante do saldo pode vir dos próprios depósitos.
- Usar retorno bruto como líquido: custos e tributos do produto podem reduzir o valor disponível.
- Fixar uma taxa histórica para todo o futuro: rentabilidade passada não garante rentabilidade futura.
Como transformar a simulação em um plano útil
- Defina objetivo, prazo e uma contribuição mensal que caiba no orçamento.
- Use uma taxa compatível com o produto e converta-a para o período correto.
- Registre se o aporte ocorre no começo ou no fim do mês.
- Compare pelo menos três cenários e inclua eventuais pausas.
- Analise o resultado líquido e real, considerando inflação, custos e impostos.
- Revise as premissas periodicamente; a projeção deve acompanhar mudanças no plano.
Fontes e metodologia
Teste os números
Reproduza o exemplo e exporte a tabela mensal na calculadora.
Usar a calculadora